O mecânico
Luís Eduardo de Souza, de 49 anos, leu sobre a criação do MicroEmpreendedor
Individual (MEI) – uma nova categoria dentro do Simples Nacional – e achou "uma
excelente idéia" para o seu caso.
Assim, como
mais de 10 milhões de brasileiros que trabalham na informalidade, Souza está à
margem do fisco há 7 anos, época em que começou a prestar serviços de mecânico
em domicílio na região da zona oeste da capital, onde mora.
Auxiliado pela
filha, que faz o atendimento ao cliente, ele conta que chega a obter um
rendimento variável de R$ 2 mil por mês. Sem contribuir com a Previdência
Social, a burocracia na hora de abrir o negócio e o pagamento de impostos sempre
foram suas preocupações. Porém, com a criação do MEI, Souza afirmou que em 2009
espera se estabelecer de forma legal. "Sempre quis ter um salão, crescer e agora
vou conversar com um contador."
Segundo Souza,
viver sem poder comprovar a renda é ruim. "Sem isso, não consigo um
financiamento no BNDES, nem alugar um imóvel para montar uma oficina. Agora, se
com o MEI ficar fácil e barato, eu topo", afirmou.
A opinião do
mecânico é compartilhada pela manicure e depiladora Antonielza da Silva
Ferrarezi, de 30 anos, que trabalha por conta há quatro anos atendendo clientes
em domicílio na região do Cerqueira César. Ao entender como funcionará a nova
forma de regime tributário, aprovou a idéia. "Se tiver de pagar um imposto
baixo, será uma grande vantagem se tornar um MEI. Como sou autônoma, sempre tive
dificuldades na hora de alugar uma casa ou abrir crediário", disse.
Além disso,
Antonielza também aponta outra desvantagem da informalidade, o fato de não poder
utilizar o sistema público de saúde porque não é contribuinte do INSS. "Sou
dependente do convênio médico do meu marido".
Segundo a
manicure, as taxas são os principais vilões dessa situação. Para ganhar R$ 1,2
mil ao mês, ela conta que tem de trabalhar muito e "não tenho direito a nada,
nem a aposentadoria", reclamou. Já com a opção de ser tornar MEI, ela reconheceu
a oportunidade. "Dessa forma tenho esperança de um dia abrir meu negócio, mesmo
que pequeno."
Sobre o MEI –
Com a lei, que entra em vigor a partir de 1º de julho, empreendedores como
costureiras e artesãos, com receita bruta anual de até R$ 36 mil, poderão se
inscrever no Simples Nacional bastando fazer uma declaração anual. Para isso, os
optantes devem pagar apenas o valor fixo mensal de 11% do salário-mínimo de INSS
para aposentadoria pessoal, que hoje equivale a R$ 45,65 e mais R$ 1 de ICMS
(comércio e indústria) ou R$ 5 de ISS (serviços). Se tiver empregado, o MEI vai
complementar com 3% o INSS do trabalhador. Além de passar a integrar o Cadastro
Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), o MEI terá o direito à aposentadoria por
idade ou invalidez, seguro por acidente de trabalho e acesso a linhas de
financiamento especiais. Deverão ser beneficiados 11 milhões de
informais.